É bomba? JAC J3 com 130 mil km

É bomba? JAC J3 com 130 mil km

julho 26, 2018 Off Por Fernando Naccari

O JAC J3 foi o carro responsável por “abrir a porteira” para a JAC Motors estrear no Brasil. Há sete anos no Brasil, logo após a chegada do hatch veio a versão sedã Turin, em seguida o compacto J2 e, de lá para cá, apresentou carros em todos os segmentos, incluindo a van T8 e o VUC V260. Mas, com o mercado tendendo aos SUVs, a marca decidiu deixar de lados os modelos compactos e focar suas vendas apenas em SUVs, embora a Van T8, o sedã J5 e a minivan J6 ainda continuem no catálogo da marca.

Mas, como modelo de estreia, o J3 ainda é o modelo que mais vemos nas ruas e, por consequência, o que tem maior demanda de peças no mercado de reposição independente. Com isso, grandes fabricantes do mercado já fornecem itens como discos de freio, pastilhas, filtros em geral e kits de embreagem, ou seja, o básico para você manter a manutenção do seu carro de maneira preventiva, mas sem necessariamente precisar da concessionária.

No entanto, o custo para mantê-lo dentro da garantia do fabricante também não é dos mais elevados. As revisões na JAC Motors são tabeladas e, em todas elas, são trocados o óleo do motor e seu respectivo filtro. Ao consultar o site da marca, vemos que a tabela termina em 60.000 km, mas consultando a rede, foi confirmado que, para as demais, basta repetir a tabela do início, ou seja, o custo da revisão de 70.000 km é igual a de 10.000 km, a de 80.000 km é igual a de 20.000 km e assim sucessivamente. Com isso, no caso do modelo avaliado, ao atingir os 130.000 km o preço da revisão seria igual ao de 10.000 km, ou seja, 4x R$ 81,00.

Características

Se diferenciando do mercado, o JAC J3 vem com o 1.4 a gasolina de 108 cv de potência, ar condicionado e ABS de série, entre outros. Mas, apesar dos bons números e rica lista de itens de série, a origem chinesa sempre causou desconfiança no consumidor brasileiro. Nossa avaliação, rodando com o carro na cidade e também na oficina mostrou que o simpático chinês não deixa nada a desejar aos concorrentes. O ponto forte do J3 está no motor desenvolvido pela AVL (empresa da Áustria especializada em motores), que apresenta bom rendimento e, principalmente, excelentes números de consumo de combustível. Rodando na cidade e com o ar-condicionado 100% ligado, marcou 12 km/l. Na estrada, em um trecho de 30 km, registrou média de 15,6 km/l.

O modelo cedido pela JAC Motors é usado e veio de um cliente que comprou outro JAC 0km. Com quilometragem já batendo os 130 mil km, a única exigência da marca para colocá-lo em sua frota de imprensa era de que o veículo tivesse seguido à risca todas as revisões recomendadas pela fabricante. Com esta premissa, o hatch surpreendeu.

Motor e câmbio
O motor estava íntegro, com todas as juntas ainda originais e sem evidências de vazamento. A não ser em um pequeno ponto na parte traseira do cárter. Algo normal para o tempo de uso e quilometragem apresentados. Todas as mangueiras estavam íntegras e não apresentavam indícios de ressecamento, nem mesmo que tivessem sido substituídas recentemente. No sistema de arrefecimento, a temperatura manteve-se estável por todo o período de testes (cerca de 500 km). Os coxins também estavam íntegros.

Embora o engate de marchas estivesse preciso, o pedal já mostrava um princípio de elevação do seu peso, indicando uma troca já deveria ser analisada. Não apresentava mais sintomas, inclusive, ainda mostrava-se eficiente como em um modelo novo.

Suspensão

Foi aqui que o J3 mais surpreendeu. O modelo 2013 e com 130 mil km ainda possuía amortecedores e molas originais de fábrica. Mas, isso não foi uma falta de cuidado, pois foi proposital para a JAC Motors mostrar a eficiência no processo de tropicalização do modelo. Nem mesmo coifas, coxins, bieletas ou batentes pareciam ter sido trocados, e não havia qualquer tipo de folga no sistema.

Durante os nossos testes notamos o quanto o conjunto estava íntegro, pois oferecia conforto (como no modelo 0km) e não apresentava ruídos de batidas secas, por exemplo.

Freios

Aqui, como não deixaria de ser, tudo novo! Em um carro que seguiu a premissa das revisões em concessionária, viu-se que muitos itens são novos. Na dianteira, pastilha e discos novos. A pinça de freio também parecia nova, pois não apresentava resíduos de material de atrito da pastilha. Na traseira, também tudo novo, incluindo o tambor do freio. Olhando no cofre do motor, o fluido de freio também aparentava ter sido recentemente trocado. Na prática, o sistema funcionou perfeitamente durante os nossos testes.

Direção

Também estava com funcionamento adequado. Analisando o sistema, havia indícios de vazamento do fluido do seu reservatório, mas em suas mangueiras, tudo seco. Aqui, talvez o que cause maior incômodo seja a característica do sistema que é pouco adaptativo à velocidade do carro, ou seja, em ordem de marcha, o volante continua muito leve e faz com que o motorista tenha maior cuidado para executar algumas manobras em estrada, por exemplo. Outro ponto positivo foi para a ausência de ruído proveniente da bomba da direção hidráulica, muito comum nos primeiros J3 que chegaram ao Brasil.

Ar-condicionado

Funcionando como em um zero km. Gelando como um bom JAC gela, afinal, em sua região de fabricação na China, as temperaturas são elevadas e, projetado por lá, é muito eficiente. O único indício de reparo recente estava em um adesivo no para-brisa que indicava ter sido efetuada a troca do filtro anti-pólen no início de 2018.

Conjunto elétrico

A não ser por uma lâmpada do farol baixo queimada, tudo funcionava adequadamente. No cofre do motor, todos os chicotes estavam íntegros e não apresentavam ressecamento do material plástico. Por falar em farol, este já apresentava amarelamento da lente, mas nada que um polimento não pudesse resolver.

Visual

Como todo carro usado, ainda mais numa cor branca onde tudo fica evidente, o J3 sofreu com algumas batidinhas de porta e pontos de batidas leves nos para-choques, que indicava manobras erradas em estacionamento. Olhando por baixo, nenhum ponto de ferrugem era aparente, inclusive, estava tudo bastante íntegro. Internamente, todos os acabamentos plásticos, bem como o revestimento dos bancos estavam intactos.

  • Manopla de câmbio - JAC J3 com 130 mil km
  • Interior - JAC J3 com 130 mil km
  • Carroceria - JAC J3 com 130 mil km
  • Painel - JAC J3 com 130 mil km
  • Lanterna - JAC J3 com 130 mil km
  • Lanterna - JAC J3 com 130 mil km
  • JAC J3 com 130 mil km
  • Exterior - JAC J3 com 130 mil km
  • JAC J3 com 130 mil km

VEREDICTO

E aí, convencido de que um carro que segue a premissa das manutenções preventivas pode ter vida longa? Acho que sim, né. Claro, a gente não pode generalizar e considerar que todo JAC J3 esteja com este mesmo nível de conservação, mas esta unidade é um ótimo parâmetro para entender que, mesmo em um carro considerado por muitos de baixa qualidade e durabilidade (eu discordo), se for tratado com as manutenções devidas, sua vida útil pode ser estendida significativamente.

Mas, tendo em vista todos os modelos da JAC Motors que tive a oportunidade de avaliar, dá para cravar que estes chineses são muito robustos e preparados para rodar ainda muitos anos em nosso país. Talvez, para melhorar o cenário, a ampliação da gama de peças no mercado de reposição independente torne a sua aceitação de mercado melhor, afinal, nem todos fazem as revisões em concessionária.

Preço atual de mercado:

Galeria:

[supsystic-gallery id=8]